Textos

Todo excesso esconde uma falta!

Desde quando eu comecei a fazer hemodiálise em meados de 2008 até início de 2016 eu estive numa dieta. Dieta obrigatória, cheia de regras que muitas vezes não foram cumpridas e me fizeram mal. Então, nessa minha fase confesso que tive um olhar diferente para toda essa coisa de ter que me adaptar e mudar totalmente meu estilo de vida. Dieta para ficar bem e ajudar meu rim que não funcionava, não era dieta para emagrecer. Não tinha o que emagrecer. Sério.

Por todos esses anos eu fiquei limitada em comer bastante coisa, desde as mais saudáveis – por conterem muitos nutrientes e o rim não filtrar eu não podia come-las diariamente, sendo assim, quando eu comia demais esse tipo de coisa o meu corpo sentia, sentia MUITO – até as besteiras industrializadas que na verdade fazem mal pra todo mundo e não só para quem tem a saúde renal comprometida.

E depois do transplante o alívio em poder comer tudo o que eu queria foi grande. A vontade de tudo que eu não podia comer ficou grande, minha gula ficou grande (sei que é pecado, viu? fui com muita sede ao pote, infelizmente hehe) e consequentemente minha ‘pancinha’ foi ficando grande… E já adianto: engordar não foi o problema maior, mas transplantado não pode engordar tanto assim e lá se foram os meus 55 kg espalhados em 1,70 de altura. Agora chegamos aos 68 kg em 1 ano e meio de transplante. Pois é… É bastante para um transplantado.

E agora, depois de ler o parágrafo acima você deve estar de perguntando: ”E agora? Você se prejudicou nisso?”, pois bem, lembra que eu disse que as coisas saudáveis também eram proibidas? Então digamos que engordei mais de uma forma saudável do que o esperado… CREIO EU HAHAHAHA. Hoje eu consigo comer de tudo, tudo mesmo! Não tenho frescura com comida e tenho me esforçado ao máximo – com sucesso! – para comer bem, e aos finais de semana dou uma escapadinha na ”dieta”(e ah, odeio esse nome!). Estou tentando emagrecer sim, mas foi-se o tempo que eu ficava paranóica com comida. Deixei isso lá atrás quando eu fazia o tratamento.

Eu só queria escrever esse texto para mostrar que com a mesma facilidade que eu me esforcei para me adaptar a vida de uma renal crônica eu consigo me esforçar novamente para essa vida normal que levo agora. Afinal, agora é totalmente o oposto, tenho que me policiar para não exagerar, mas não porque eu quero emagrecer a todo custo, mas porque tenho um rim para cuidar e quero que ele dure.

Com ou sem hemodiálise o pensamento é o mesmo: me esforçar para me adaptar e ficar bem. E dito isso, creio que muitas e muitas pessoas que estiverem lendo isso devem estar seguindo uma dieta… parece até religião, parece fanatismo e tem sido muito, mas muito esquisito ouvir as pessoas falar ou tratarem desse assunto.

Se for pra fazer dieta e se adaptar a ela que seja realmente bom para sua própria saúde e te satisfaça como ser humano, e que uma vez ou outra você se dê a liberdade em comer aquela comida que tanto ama, mas que não pode comer. Substitua o seu ”chá verde da janta de sábado” por algo que realmente te deixe feliz em estar comendo. Se você pode, porque não? Fuja da regra que te deixa infeliz.

Lembrando: nada de generalizar!

Até o próximo texto. 

 

 

 

 

 

 

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